Acaso não acaso, há encontros que
só se explicam pela necessidade de sobrevivência das partes, que estaria seriamente
comprometida não fossem os encontros essenciais. Os que são dessa natureza
acabam por compor a construção do projeto inteiro de ser e estar, especialmente
se considerarmos como movimento primeiro do projeto o compartilhar. Mudanças de
perspectiva e alterações de dimensões, como tempo ou espaço, acontecem nesses
encontros e viciam, podendo causar dependência química, cuja abstinência se faz notar doída. Portais que se abrem
para novas possibilidades não seriam transpassados sem a mão que aperta a
minha. E isso me faz lembrar de tantos gestos, cheios de significados e
intenções, às vezes carregando o sentido de tudo, cuidadosamente encarado com
uma relevância surpreendente.
Encontros de olhos que vêem as palavras e sabem da mensagem antes que cheguem à boca, que podem acompanhar a trajetória de um instantâneo à um passado
de vida inteira. Para esses, fica pendurada, sempre fresca, a sensação exata de
ver, ser vista vendo, e poder então oferecer um gomo da fruta que acabou de
abrir, dedicada com meio sorriso de ostensível cumplicidade. E falando
assim, flagro, fingindo surpresa, uma parede mais longa que a muralha da China,
cheia de movimento.
Não há para vida em comum meio termo, o abraço é aberto,
peito com peito, a iginorar que a carne treme ao ser tranpassada pelo amor que
aperta forte e respira fundo, aspirando o cheiro da intensidade do desejo de
estar junto. Nesses abraços tudo é permitido, que o tempo passe, que se
transbordem as lágrimas, que se arrepiem os pelos, que não se queiram largar
jamais, que se gargalhe da alegria de completar-se no outro, enfim,
transloucar-se seguro de que a união conterá sem limitar.
Acontece de escassearem, como encontros são de natureza passageira,
veem num episódio e nada garante sua continuidade, nem a eternidade da marca cravada
na carne viva dos sentidos, nem a necessidade visceral que pede repetições. Talvez
esse seja o maior dos desafios quanto a prática do desapego. Fica plantada lá uma
resignação obstinada na espera pelo possível próximo encontro, raízes profundas,
pedindo mais, garantindo que, se devidamente alimentada, será a mais frondosa
das árvores. Não se duvide disso, é certo que sim, mas o que virá não está nas
mãos de ninguém. Acaso não acaso, pode ser que sim, pode ser que não, de todo
modo mantemo-nos atentos às oportunidades que surjam.
Sempre que posso, espalho as lembranças no chão,
e brincamos muito de viagem no tempo. Só pro caso de o acaso estar ouvindo, saiba
que estão ávidas algumas saudades e que ficam a me beliscar querendo reforço para
as lembranças. Pode?
Não é como mostram os filmes: as cidades grandes e seus arranha-céus espelhados. Não há espelhos. E tudo, mesmo alto, não convida a transcender. Por isso os encontros são caros. Custam a vida interior. Enriquecem-nos quando estão. Mas nos tornam indigentes do outro na distância. Não fosse a teia invisível que permanece, fio umbilical entre as almas, transportando secretamente a substância, morreriam. Ainda bem que pensamentos se comunicam.
ResponderExcluirSabe lá como sintonizar... Nascemos sem dial, a sintonia tem que vir, só pode ser ao natural. Mas não tem satélite que transmita com força igual a este sinal, concorda?
ResponderExcluir=)
Bjs
P.S.: FELIZ NATAL!
Eu não tenho palavras. Você é a única pessoa que sabe de mim...além de mim tão bem. Meu silêncio louco...você sabe. Beijos e pode tudo!!! Você pode tudo minha querida!!
ResponderExcluirSeguido leio o teu blog, interessantes teus posts.
ResponderExcluirTe escrevo para divulgarmos nosso blog, ainda está em processo de expansão. Se quiser nos acompanhar e dar umas risadas: www.o-cercadinho.blogspot.com
Será um prazer te ter nos visitando lá. O que é O Cercadinho? Segue uma apresentação para te situares. Em cada relacionamento afetivo, os envolvidos ficam restritos a um espaço, O Cercadinho, onde acontecem as interações. Em algumas fases, está cheio de "queridas", mas em outros, quase vazio. O Cercadinho é o resultado das conquistas amorosas, onde cada um preenche à sua maneira e gosto. Pode ter o critério de cotas e uma de cada: loira, morena, mulata, ruiva e/ou japa. Com faixas etárias e tipos variados. Até monogâmico com apenas uma mulher selecionada.
Neste blog, somos cinco homens escrevendo relatos e histórias, sem pretensão literária sobre O Cercadinho. Heitor faz o estilo confuso e rebuscado. Apaixonante e cafajeste, este é Wanderlei. Já Cebola faz o estilo 100% sincero e sem rodeios. Seco, objetivo e um pouco bagual com sentimentos, assim é Iberê. E Marcão, bom, esse é trash total. Entre no nosso Cercadinho e boa leitura.
Iberê
Amiga,
ResponderExcluirSeu tim anda cabreiro, de modo que ainda estou entalada com os cumprimentos do Natal aos que se somam esses de ano novinho em folha!
Desembrulhe 2012 com cuidado e desfrute o presente!
Amo você,
- Betinha.
Belíssimo post. Estava na página inicial de meu blog, o "Coisa Nossa", quando vim aqui para dar uma conferida, após clicar em "Próximo blog". De fato, fiquei impressionado com a qualidade da tua escrita. Parabéns pelo trabalho bem feito!
ResponderExcluirAh, que inveja do/a(s) destinatário/a(s)... =p
ResponderExcluirDelicadíssimo texto.
Beijos, Moça. Saudade paralisante.
E por que você se exime de estar entre eles? Quem lhe deu essa escolha? Não fui eu! Muita saudade também.
ResponderExcluirBeijos