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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Histéreo
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Dormideira
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Desajuste
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Hormônios
- Elis Barbosa
domingo, 22 de agosto de 2010
Espinho
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Ladainha

Hoje é dia de me ocupar dos afazeres domésticos, dos detritos do lar, restos de comida, louças por lavar, roupas batendo-se na máquina que demora uma eternidade para ajudar. Quarta-feira em que até a modernidade está reflexiva e toma um tempo diferente do que costuma para agilizar a vida, para acelerar o dia.
É uma agonia fina engrossando o ar, uma insatisfação parecida com dor de barriga, amolação distante, mas constante, acontecendo umas pontadas aqui e ali, sem previsão de passar. Precisando me limpar um pouco, escrevo, recorrendo ao caminho conhecido, mas que hoje está aborrecido, porque não consigo me livrar dessa coisa de rimar em texto que é prosa.
Será que perdi a mão?! Tudo saindo com cara de coisa requentada, uma ladainha enjoada, essa rima que não me larga!
Redescobri a poesia nos últimos tempos e essa reaproximação tem enchido meus sonhos de palavras, e eu precisando dormir, descansar, desconectar dessa realidade sozinha de quem não pára de pensar. Isso assim desse jeito me cansa, mas estou em casa, aos outros é que incomoda com mais vontade e esse defeito ainda não descobri como concertar. A fluidez do cotidiano fica atrapalhada com o estorvo que pode ser a constância da palavra surgida rápida, precisa, pontual.
Vira fardo o tipo da fala, cansa o constante externar de uma intensidade cuja lógica (essa tara por racionalizar!) funciona sempre pra mais, desconsiderando limites ou medidas entre os muros da intimidade possível. Ouço a voz dos anciãos desfolhando alfarrábios antiqüíssimos que discursam sobre o valor da temperança, vejo Comte medindo, calculando, chegando a fórmulas conceituais que nos levarão ao progresso ordenado de uma modernidade funcional, eu conheço essa lição tão bem, já há tanto tempo proclamei minha independência, adotei o escândalo de assumir meu eu, tal qualzinho ele é, de conduzir-me pelo mundo do meu jeito inclusive sendo mulher.
Pesa muito sobre mim isso das medidas, apesar de não ser nenhuma anarquista, sigo as regras absolutamente fundamentais ao bom viver, mas do meu jeito. Cansa muito isso do constante explicar, de ter sempre de justificar, se desculpar, se adaptar. Circulo pela casa querida, espelho bagunçado de mim, e a desordem do escritório se arruma de modo a me irritar expondo uma fita métrica com seus pontinhos inventados. Essa conspiração metafórica fazendo humor às minhas custas é de matar!
Pelo visto hoje não vai ser mesmo dia de passar, está mais com cara de castigo, de cantinho para pensar. Pelo visto o ciclo vai é recomeçar.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Ensinamentos de Flor

A Flor é muito saudável, logo não é possível ver nela sinais de paz, afora quando repousa sob o fardo do inevitável cansaço que é crescer, e isso ela faz a olhos vistos. Conversávamos conversas de olhar essa manhã, conversas brevíssimas posto que a Flor fala mais é com a boca, mordendo, lambendo e latindo. Essa fala canina, confesso, me impacienta, causa angústia e começo a retrucar: não pode morder, não morde, não pode; não pode lamber, não lambe, não pode; quietinha, fica quietinha.
A resposta veio em forma de focinho enfiado entre meu braço e meu seio esquerdo, seguido de um suspiro entediado. Com os olhos ela indaga muito francamente: mãe, não, é pulga?
Pulga?!
Pulga: um monte de coisas vivas, espalhadas pelo corpo todo, chupando o sangue da gente, enfraquecendo, angustiando com uma coceira confusa, mistura de prazer e desconforto, marcando sua passagem com pequenos machucados, ora está aqui, ora está lá, sem nem por um momento se ausentar.
Muda, tive dó dela que não tem mais pulgas. Quanto a mim, resolvi tomar um banho pra ver se consigo diminuir meus excessos.
- Elis Barbosa
domingo, 14 de dezembro de 2008

Os dias vão seguindo-se um ao outro e depois de novo ao um… cada qual ocupando seu lugar na fila e caminhando no passo de 24 horas cada um... a fila não anda! A despeito de o conselho ser “vai fazer essa fila andar garota!”, a realidade é que simplesmente não pode ser assim...
A despeito de qualquer feita, a despeito do valor da coisa em si, de ela estar boa ou ruim, perder, chegar ao fim, terminar, despedir-se, separar-se na bifurcação do caminho que era um e volta a ser dois é uma MERDA! Sim, uma merda!!! E não, não encontro palavra mais triste, suja e irk que possa expressar o estado em que fica o indivíduo ao separar-se de, seja lá o que for, depois de um tempo considerável envolvido, na concepção literal da palavra, com o outro.
O momento do adeus magoa pela sua natureza mesma de separação (não há separação sem dor!), o que pode sempre piorar se em cima do couro magoado vierem sentando o sarrafo com desdém, fazendo pouco da tristeza do momento, da tristeza do outro, de tudo que foi feito, falado, beijado, cheirado, amassado, consolado, despendido de energia e afeto... dói pra lá de bem muito!!! E fiquei assim ó, de queixo caído com as coisas que ouvi, que vi e que senti... Uma coisa assim que não se descreve, só todos nós que já passamos por isso sabemos do que estou falando! E parece que só para compor o cenário chove no fim de semana... Caracas!
E esse texto só esta essa porcaria porque até sem palavras eu fiquei... mas descansem, não hei de sumir, vou dando notícias...
- Elis Barbosa
sábado, 29 de novembro de 2008
Hoje tudo parece...
domingo, 3 de junho de 2007
Socorro no sossego

Cansei! Cansei desses arredores de correria e consumo insano de coisas e de pessoas! Teorizem o quanto quiser, mas a ausência do momento, no meu entender, vai levar tudo e todos para uma velocidade que há de desintegrar a matéria.
Não entendo nada de Física, mas os movimentos andam tão abruptos e duros que acredito na possibilidade de desintegração da matéria, de toda e qualquer matéria, palpável ou etérea.
O momento acabou, e deve ter ido junto com o sonho que alguém (não me lembro quem) disse uma vez tinha acabado. A convicção de que havia chegado ao fim era tão grande, sua fala tão verdadeira, que desde então a desenterram.
Existe uma coisa que não sei se posso chamar de ditado, mas que todo mundo repete, assim: “Não existe felicidade, existem momentos felizes.” Essa frase é uma incoerência por si só, mas mesmo que fosse verdade, nem isso teríamos mais porque os momentos já não existem... o sonho acabou e as pessoas que assisto, enquanto paro por um momento, não param de correr para algum lugar que tenho a impressão, não existe.
Não quero aqui dar a impressão de um saudosismo típico de quem fica relutante diante de mudanças radicais, mas ando vasculhando por aí, atrás do momento, a telefonista sempre pede, “um momento, por favor” e me pego aceitando aguardar um momento, mas será que o momento reduziu-se a algo que se aguarda? Prefiro encarar o momento como algo que se guarda.
Hoje, não se olha mais nos olhos, não se espera a fala do outro, não se prestam mais as pessoas a aguardar o seu momento ou a dividi-lo com alguém (quem sabe?). Pensa comigo: quando foi a ultima vez que dividiu um momento? Quando foi a ultima vez que olhou e viu quem te atendia? Quando foi a ultima vez que olhou e viu quem te olhava? Quando foi a ultima lua cheia que se permitiu respirar?
Pára o mundo que eu quero muito descer!!!
- Elis Barbosa
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Reflexões Obrigatórias
Dentro ou fora?
Apreciaria muitíssimo se alguma alma caridosa pudesse esclarecer sobre as motiva ções que ocupam o tipo do ser humano que expulsa outro de seu convívio sem sequer dar-se o trabalho de conhecê-lo. Quero muito saber, de modo que se alguém souber da resposta, é favor compartilhar. Qual será o mistério envolvido na adivinhação precoce de que o outro, com quem só foram trocados cumprimentos e nada mais, é desprezível?
Ódio, inveja e desprezo por outrem, até quando parece gratuito será oneroso.
Passados os dias em que tentava sobreviver fora do meu habitat, em ambiente extremamente hostil, sem poder contar com qualquer proteção além de minha própria surpresa, escrevo para informar, e me livrar da sensação de impotência, passo adiante, não quero mais pra mim. Foi tudo muito impressionante, todavia é destaque a razão alegada (verbalizada) para tanto: “o meu jeito de ser”.
Sobre o acima não pude impedir a perplexidade de fazer meu queixo cair, fiquei sem saber o que pensar tamanha a acuidade da informação, a bem da verdade, até hoje não sei bem o que pensar, mas senti tristeza e muita raiva. Não me foi dada a chance de apresentar “meu jeito de ser” e ainda assim o pobre era julgado sem apelação. Dessa vez eu era inocente, foi maldade.
O que realmente resta é a piedade, e me ponho a refletir sobre nossa mesquinharia, sobre a recorrente concorrência, na grande parte das vezes imaginária, no universo feminino, muito embora o despeito seja comum a quase todos. Triste assistir as hienas rodeando o que está vivo, triste que tantas mulheres se ocupem com possíveis botes esquecendo de desfrutar do privilegio sagrado de gerar, de parir, de dar a vida, tristíssimo quando se apequenam.
Seja como for, fica ainda para o final algo incrível, apesar de tudo a que se propuseram não me tiraram nada. Sigo acordando e dando de cara no espelho com um rosto delicado, minhas habilidades mentais continuam funcionando tão perfeitamente bem que posso espalhar aqui reflexões sobre tudo que aconteceu, meu coração permanece cheio de amor fraterno e fé na existência daqueles que conseguiram sair do limbo quando transcenderam para o lado da vida, meu corpo continua com a compleição cheia de curvas bem feitas, graças à generosidade da genética. Agora em segurança, de volta ao meu lugar, com o único compromisso de gerir minha existência decentemente, fico em paz.
Malvadas, espero que saibam sobre a lei do retorno, toda crueldade lançada ao outro voltará sempre para quem se comprometeu com ela, toda a dor a que ousam submeter o outro perpassará suas vidas mesquinhas, pois quem não se ocupa com a vida dos outros não dá conta da própria.
Até NUNCA mais.
- Elis Barbosa



