
Choravam à beira mar melodias de tempos já idos, que ainda reverberam bem aos que, de alguma forma, permaneceram por lá. O sol despedia-se vaidoso, vibrando seu dourado de fim de tarde, beijando de leve as nuvens que passavam distraídas.
A moça de vestido de barra florida comungava com tudo sem falar com ninguém. Alheia, recusava a dividir o que lhe ia pelas idéias, até mesmo porque, ponderava, não interessava mesmo a questão.
Enquanto deixava-se ser ali, amolecida pela maresia, a música entra-lhe pelas ancas propondo indecente o empréstimo do corpo bronzeado e fresco ao desfrute do movimento. Os batuques lhe faziam cócegas. Sorriu, corou, sentiu.
Pensava para não ir, pois que se não pensasse iria. Com a noite, com a música, com o movimento que vibrava agora no baixo ventre.
A balburdia crescia, o ritmo lhe acariciava a cintura, aliciando. O silêncio dentro dela faz movimentos de se recolher, já vira tudo, e sabendo do que ia acontecer começa a catar as questões espalhadas, junta os poréns, guarda todos na cestinha de praia e vai-se embora.
A graça que vinha de mãos dadas com a brincadeira acena um adeus faceiro ao silêncio resignado. O acaso que passava resolve ficar por ali assim, traquinas. De modos que fazer a saia rodar era o que seria, e as flores fixas, tontinhas, não saberiam bem o que contar do que se passaria.
- Elis Barbosa
A moça de vestido de barra florida comungava com tudo sem falar com ninguém. Alheia, recusava a dividir o que lhe ia pelas idéias, até mesmo porque, ponderava, não interessava mesmo a questão.
Enquanto deixava-se ser ali, amolecida pela maresia, a música entra-lhe pelas ancas propondo indecente o empréstimo do corpo bronzeado e fresco ao desfrute do movimento. Os batuques lhe faziam cócegas. Sorriu, corou, sentiu.
Pensava para não ir, pois que se não pensasse iria. Com a noite, com a música, com o movimento que vibrava agora no baixo ventre.
A balburdia crescia, o ritmo lhe acariciava a cintura, aliciando. O silêncio dentro dela faz movimentos de se recolher, já vira tudo, e sabendo do que ia acontecer começa a catar as questões espalhadas, junta os poréns, guarda todos na cestinha de praia e vai-se embora.
A graça que vinha de mãos dadas com a brincadeira acena um adeus faceiro ao silêncio resignado. O acaso que passava resolve ficar por ali assim, traquinas. De modos que fazer a saia rodar era o que seria, e as flores fixas, tontinhas, não saberiam bem o que contar do que se passaria.
- Elis Barbosa




