
Eu morri pela boca como os peixes, entreguei aos feixes toda a letra,
era tudo o que tinha, minha paixão, dedicação, o alfabeto todo em comunhão...
Até de livrarias passou a gostar, quem diria um cidadão nada exemplar
passando a passar pela vida com um colorido que era meu, levando agora, além da buceta a letra... como aceitar?
Isso não dá para perdoar!
Agora pobre que estou faço rimas ordinárias, impregnada ainda, tentando escapar do lugar comum onde acabei por me despojar!
E para quê?
Para ouvir de você que será melhor deixar como está...
Canalha!
É graças a mim que encantado assim com tais pradarias vai agora transitar por ali, achando que nesse chão sabe andar!
Qual o quê, o que há de saber de fato este pagão, que não tem por natureza o amor de quem dá a mão?
Que não sai de si por pavor, pois sabe que sozinho não tem chão...
Fui eu teu chão, servi de corrimão sabendo que te dava o suporte, achando, tola, que tu eras o forte!
Tento em luto passar pelo vale da sombra da morte de um amor para o qual tudo dei...
Vendi a alma, e não foi ao diabo, nenhum lucro de contrato justo tirei, ficou apenas a certeza da tua fraqueza, homem sem coração...
Pois sim, deixa estar, que mesmo marcada hei de fazer tal qual minha estirpe manda, ressuscitarei!
Seguirei tatuando as letras que contam a história que ainda não acabei,
a minha história, da qual quase tarde demais te arranquei!
Liberta, linda, plena, fêmea, forte, com o direito de bradar que amei, no mérito de tentar de novo, e certa de que posso, guarde contigo a certeza de que o farei!!!
Elis Barbosa


