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Moram comigo alguns animais, dois gatos adultos e uma cadelinha vira-lata de quatro meses, a minha filhinha preta, de olhos cor de infinito prenhe, chuviscados de tons de verde. Verde é coisa que vai amadurecer, mas nela acho que tudo haverá de se manter nesse estado de latência, de por vir, de fertilidade em forma de promessa.
A Flor é muito saudável, logo não é possível ver nela sinais de paz, afora quando repousa sob o fardo do inevitável cansaço que é crescer, e isso ela faz a olhos vistos. Conversávamos conversas de olhar essa manhã, conversas brevíssimas posto que a Flor fala mais é com a boca, mordendo, lambendo e latindo. Essa fala canina, confesso, me impacienta, causa angústia e começo a retrucar: não pode morder, não morde, não pode; não pode lamber, não lambe, não pode; quietinha, fica quietinha.
A resposta veio em forma de focinho enfiado entre meu braço e meu seio esquerdo, seguido de um suspiro entediado. Com os olhos ela indaga muito francamente: mãe, não, é pulga?
Pulga?!
Pulga: um monte de coisas vivas, espalhadas pelo corpo todo, chupando o sangue da gente, enfraquecendo, angustiando com uma coceira confusa, mistura de prazer e desconforto, marcando sua passagem com pequenos machucados, ora está aqui, ora está lá, sem nem por um momento se ausentar.
Muda, tive dó dela que não tem mais pulgas. Quanto a mim, resolvi tomar um banho pra ver se consigo diminuir meus excessos.
- Elis Barbosa
A Flor é muito saudável, logo não é possível ver nela sinais de paz, afora quando repousa sob o fardo do inevitável cansaço que é crescer, e isso ela faz a olhos vistos. Conversávamos conversas de olhar essa manhã, conversas brevíssimas posto que a Flor fala mais é com a boca, mordendo, lambendo e latindo. Essa fala canina, confesso, me impacienta, causa angústia e começo a retrucar: não pode morder, não morde, não pode; não pode lamber, não lambe, não pode; quietinha, fica quietinha.
A resposta veio em forma de focinho enfiado entre meu braço e meu seio esquerdo, seguido de um suspiro entediado. Com os olhos ela indaga muito francamente: mãe, não, é pulga?
Pulga?!
Pulga: um monte de coisas vivas, espalhadas pelo corpo todo, chupando o sangue da gente, enfraquecendo, angustiando com uma coceira confusa, mistura de prazer e desconforto, marcando sua passagem com pequenos machucados, ora está aqui, ora está lá, sem nem por um momento se ausentar.
Muda, tive dó dela que não tem mais pulgas. Quanto a mim, resolvi tomar um banho pra ver se consigo diminuir meus excessos.
- Elis Barbosa
Oi Elis! Já tinha visitado seu novo espaço e achei de muito bom gosto. A Roberta me contou as novidades e imagino que a reformulação do seu espaço virtual faz parte de todo o projeto de renovação que se passou nos outros aspectos da sua vida. Espero que você esteja tendo dias felizes, mais leves e que o future se lhe revele brilhante, como você merece! Beijos querida e parabéns!
ResponderExcluirOi, Elis! Se me lembro de você? Me lembro até da 'agonia' de chegar em casa para enfim estar aqui onde estou, em meio aos seus escritos (e onde sinto-me muito à vontade, diga-se de passagem). Bem, temos agora um impasse: Daqui eu não saio, daqui ninguém me tira, pois seus textos são incríveis! Obrigada pelo comentário no blog, mas quero te convidar a me visitar aqui, onde poderá me conhecer melhor:
ResponderExcluirhttp://minimosmultiploscomuns.blogspot.com
Beijos!!!
Que linda Elis! Também amo cães, gatos, peixes e o que há de vir... Meu problema é que moro num apartamento de 40m2, no Centro de SP, aí nao dá... Deixa eu conquistar um quintal na vida.. Beijo!
ResponderExcluirKk! Você por aqui querida, que honra! Pois é amiga, tudo mudou, resolvi fazer diferente, e sim, não ou mentir que morando em cidade pequena, de veraneio tudo fica bem mais leve, escrever fica mais bom. Obrigada por não esquecer.
ResponderExcluirBeijos,
Elis
Mila, fui lá e comentei!!!
Beijos,
Elis
Tati, tão logo você posssa, tenha um filhote, eles são demais!
Beijos,
Elis